ANÁLISES, TEXTOS RELACIONADOS AO MUNDO DAS PESQUISAS E PRINCIPAIS TRABALHOS REALIZADOS.

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

sábado, 18 de janeiro de 2014

MARCOS COIMBRA, PRESIDENTE DO VOX POPULI, UM DOS PRINCIPAIS INSTITUTOS DE PESQUISA DO BRASIL, MOSTRA O PANORAMA PARA A ELEIÇÃO PRESIDENCIAL DESTE ANO VISTO A PARTIR DO ATUAL MOMENTO.


Marcos Coimbra pode tranquilamente ser considerado
como o mais sério, confiável e competente profissional
de pesquisa do Brasil. Suas pesquisas e análises são 
isentas e sempre realistas.

O Panorama (eleitoral) visto de janeiro. 
Por Marcos Coimbra direto da Carta Capital.

Desde o fim da ditadura, em todas as eleições que fizemos, as pesquisas disponíveis em janeiro conseguiram antecipar o que as urnas mostraram.
Em três, os favoritos no início do ano eleitoral terminaram vencendo. Em janeiro de 1998, Fernando Henrique Cardoso liderava e nenhum adversário apresentava  fôlego para derrotá-lo. Lula chegou a quase empatar nas pesquisas de junho, mas a vantagem do tucano prevaleceu.

Nas duas oportunidades em que Lula teve sucesso, a mesma coisa: em janeiro de 2002, obtinha índices parecidos à votação que recebeu no primeiro turno. José Serra, Anthony Garotinho e Ciro Gomes, cada um de sua vez, cresceram, mas nenhum se firmou. Quatro anos mais tarde, algo semelhante. De janeiro de 2006 para a frente, o petista nunca perdeu a dianteira.
Em 1989, 1994 e 2010 o líder de janeiro não venceu. Mas, adequadamente interpretadas, as pesquisas identificaram o que acabou acontecendo. A eleição mais difícil de prever foi a primeira. Ninguém apostava na vitória de Fernando Collor.

Era, no entanto, uma hipótese admissível. O desejo de renovação do eleitorado, sua disposição para o risco, a rejeição ao governo José Sarney, tudo se conjugava para torná-la possível. Feitas em maio de 1988 e janeiro de 1989, pesquisas da Vox Populi indicavam que quase 40% do eleitorado queria votar em “um candidato novo, desvinculado dos partidos tradicionais”. Collor surgiu como oferta para aquela procura.
Em 1994, o fraco desempenho de Fernando Henrique nas pesquisas de janeiro só enganava quem desconhecia a formidável armação em curso. Nada menos que um plano anti-inflacionário havia sido sincronizado com o calendário eleitoral, de forma a turbinar a candidatura do ministro da Fazenda que por ele era responsável.(E ainda há quem, na oposição hoje, se diga “indignado” quando, por exemplo, o governo Dilma Rousseff anuncia, para 2014, metas mais ambiciosas para programas como o Minha Casa Minha Vida, achando que é “intervenção” do governo na eleição. Quem viu o tamanho da “intervenção” que foi o Plano Real só pode achar cômica a acusação.)

Quanto a 2010, a vantagem que Serra apresentava em janeiro tinha a consistência de uma quimera, na qual talvez apenas seus amigos na “grande imprensa” acreditavam. Qualquer um medianamente versado na análise de pesquisas percebia que Dilma seria eleita.

Assim, em todas nossas eleições modernas, seja quando apontaram o nome do vencedor, seja quando deixaram claros os sentimentos com que o eleitorado estava indo para as urnas, as pesquisas feitas a distância em que estamos da eleição foram capazes de mostrar o que terminou por ocorrer.

Há alguma razão para imaginar que, em 2014, será diferente? Considerando o cenário provável (em que enfrentaria Aécio Neves, pelo PSDB, e Eduardo Campos, pelo PSB) Dilma tem, nas pesquisas recentes, mais vantagem que Fernando Henrique em 1998 e Lula em 2002 e 2006, em momento semelhante. Seus 42% superam os 35% do tucano e os 30 e poucos pontos porcentuais de Lula em janeiro daqueles anos (dados do Datafolha e do Ibope).
Ou seja: se repetirmos, este ano, o padrão daquelas eleições (das quais duas de reeleição), ela deve ser considerada favorita absoluta.
Poderíamos, ao contrário, ter algo análogo às eleições de 1989, 1994 e 2010?

Nada indica que exista hoje um sentimento parecido àquele da primeira. O eleitor brasileiro típico não aceita aventurar-se na procura de mudanças vagas e calcula que tem muito a perder se acreditar na conversa de candidatos que mal sabem quem são. Um “novo Collor” é, a bem dizer, impossível.

Existe, nas oposições, alguém que possa ser um “novo Fernando Henrique”? Têm elas instrumentos para voltar a fabricar um personagem como aquele de 1994? Fora do governo, é certo que não.
Caberia pensar em uma “nova Dilma”, um nome de desempenho modesto nas pesquisas atuais, mas apoiado por uma liderança do calibre de Lula, capaz de superar qualquer adversário?

Não. O que Aécio enfrenta são problemas com seus correligionários. Eduardo Campos conta, no máximo, com o endosso
de Marina Silva, que, comparada a Lula, é uma força miúda.

Sempre é possível que o inesperado aconteça. Mas o provável é que as pesquisas de agora sejam confirmadas em outubro, como nas eleições anteriores.


Considero Marcos Coimbra um mestre e meu "gurú" entre os pesquisadores.


Flávio Luiz Sartori

domingo, 12 de janeiro de 2014

CONSUMO PRÁTICO: AUMENTO DA DEMANDA POR PRODUTOS E SERVIÇOS DE ELEVADA PRATICIDADE E QUE CONTRIBUAM PARA OTIMIZAÇÃO DO TEMPO.


Mudanças no Perfil do Consumo no Brasil:  Principais Tendências nos Próximos 20 Anos. 
Oitava Parte.

Direto do site Marcoplan.

Para uma significativa parcela da população, cada vez mais o
tempo praticamente "não vai existir".

Cerca de 10% dos 56 milhões de domicílios brasileiros são habitados por uma única pessoa, ou seja, são mais de 5 milhões de pessoas morando sozinhas no Brasil, segundo dados do IBGE. Entre os anos de 1996 e 2006, houve um crescimento de 8% para 10,7% do número de domicílios com um único habitante. O avanço estimado no número de pessoas sós para 2016 é de 12 milhões.

Em termos nacionais, o número de homens e mulheres morando sozinhos é praticamente igual (49,6% de homens e 50,4% de mulheres). Já sob o ponto de vista etário, observa-se que mais de 87% das “famílias unipessoais”, como define o IBGE, estão na faixa etária acima dos 30 anos. Mais especificamente, 46,3% entre 30 e 59 anos e 41% com mais de 60 anos. Isso significa que existe uma grande maioria na chamada faixa economicamente ativa, o que, em termos mercadológicos, implica pessoas em plena função produtiva e, por conseqüência, com maior poder de compra.

Pessoas que moram sozinhas têm demandas próprias e formas próprias de consumo de bens e serviços, em muitos casos, bastante diferenciadas de quem mora com a família ou mesmo com apenas uma outra pessoa. Há necessidade de parte dessas pessoas otimizarem seu tempo a fim de poder conciliar as atividades profissionais e pessoais com as demandas de sua moradia, a chamada administração da casa. Por isso, todos os produtos ou serviços que possam facilitar as tarefas domésticas dessas pessoas têm grande chance de aceitação. Adicionalmente, todo produto ou serviço que os ajudem a administrarem o seu tempo, otimizando tarefas e compromissos extras, vão encontrar uma boa demanda.

O consumo das pessoas que moram sozinhas vem crescendo em média 6% ao ano. Elas são responsáveis por 40% do aumento das vendas de produtos práticos e em porções individuais. O setor alimentício, por exemplo, já vem experimentando essa tendência. No primeiro quadrimestre de 2007, os supermercados já apresentaram uma elevação de 8% nas vendas de alimentos semi-prontos e congelados em relação ao mesmo período do ano passado (Consultoria AC Nielsen). Outro indicador é o crescimento de 10,6% entre 2006 e 2007 dos alimentos congelados e laticínios, o que representou mais do que o dobro do crescimento do setor alimentício (gráfico 8).

De acordo com estudo publicado pelo Sicongel (Sindicato dos Congelados, Supercongelados, Sorvetes, Concentrados e Liofilizantes), o setor de alimentos congelados atingiu, em 2008, um faturamento de US$ 2,05 bilhões, com um crescimento de 25,2% sobre o ano anterior.


domingo, 5 de janeiro de 2014

A DIMINUIÇÃO DO PODER DE INFLUENCIAR A OPINIÃO PÚBLICA DAS MÍDIAS TRADICIONAIS EM RELAÇÃO AO PAPEL CRESCENTE NA INTERNET DOS BLOGS E DAS REDES SOCIAIS NOS PROCESSOS ELEITORAIS DEVERÁ SER O GRANDE DESAFIO DAS PESQUISAS ELEITORAIS PARA A ELEIÇÃO DESTE ANO.


A citação da manipulação da Globo do debate eleitoral
entre Lula e Collor em 1989 é um fato histórico que,
inclusive, foi confirmado pelo próprio Boni, que era
um dos homens fortes da Globo naquela época.


Neste ano vamos ter eleições para cargos executivos, Presidente e Governador, e também para cargos legislativos, deputados estaduais, federais e para Senador. Em um Brasil onde a Internet se torna a ferramenta de acesso a informação e comunicação para as pessoas em uma escala cada vez maior já vai longe o tempo em que as campanhas eleitorais eram feitas de forma direta em relação  ao eleitor, com entrega de panfletos em um trabalho que era feito em combinação com comícios, apoio do rádio e também da televisão, principalmente a partir da segunda metade dos anos sessenta do século passado.

Nesses tempos de panfletagens, comícios, propagandas no rádio e posteriormente na televisão, se sobressaia também a importância dos setores da sociedade considerados como formadores de opinião, que conectados com as informações e os debates que aconteciam na mídia tradicional, reproduziam o que assimilavam  junto a população menos informada e escolarizada formando tendências de opinião que poderiam determinar a eleição de um candidato, o que de fato realmente acontecia.

Dos anos setenta para os anos oitenta do século passado cresceu muito o papel das propagandas políticas na televisão, assim como a influência das empresas de comunicação, principalmente de televisão, com destaque para a Rede Globo, nos processos eleitorais. Maior exemplo de como as redes de televisão passaram a influenciar os resultados eleitorais foi a manipulação do debate para a eleição presidencial entre Lula e Collor em 1989 feita pela Rede Globo, que usou seus telejornais para dar destaque ao fato, que acabou por influenciar o resultado final daquela eleição presidencial em favor de Collor.

Porém, a maior mudança com impacto nos processos eleitorais estamos vivendo, agora, no século vinte um, com a massificação da Internet através das redes sociais onde as informações circulam com muita rapidez e as opiniões formadas podem mudar em espaços de tempo muito curtos, podendo determinar mudanças de cenários eleitorais e resultados finais. Como exemplo, novamente, podemos citar a virada histórica na eleição para o parlamento da Espanha com a surpreendente vitória do socialista José Luis Rodríguez Zapatero no dia 14 de Março de 2004 em uma Espanha traumatizada por um ataque terrorista que aconteceu três dias antes da votação, que o governo de direita da Espanha insistiu em atribuir a terroristas bascos, sendo desmascarado pelo fato de que a rede terrorista Al-Qaeda assumiu a autoria do atentado, mostrando a mentira do então primeiro ministro José Maria Aznar, o que irritou os eleitores espanhóis informados que foram pelas redes sociais na Internet da mentira do governo em um espaço de apenas 24 horas, que foi o bastante para determinar o crescimento e a vitória de Zapatero, que acabou ficando com um pouco mais de 42% dos votos diante de um pouco mais de 37% de seu adversário Mariano Rajoy apoiado por Aznar, sendo que o candidato governista tinha liderado todas as pesquisas em todo processo eleitoral com números sempre próximos aos 45% de intenções de votos.

Nesse contesto, as pesquisas eleitorais sérias feitas com o objetivo de determinar as estratégias a serem adotadas são cada vez mais importantes. São pesquisas com características diferenciadas, que precisam ser realizadas não necessariamente para serem divulgadas, mas com toda garantia de sigilo e confiabilidade, tanto do contratante quanto do contratado, porque elas não são feitas para ter impacto de mídia, mas planejadas para captar a tendência do eleitorado em função do debate político que acontece e que tem como conseqüência a formação de tendências da opinião publica no cenário que se desenha através de levantamentos quantitativos e qualitativos. São pesquisas que tem a importante finalidade de ser base para a estratégia a ser adotada pelo comando das campanhas dos candidatos.

O acirramento do debate eleitoral no Brasil, principalmente depois das manifestações de junho e julho do ano passado, deverá ter como protagonistas, principalmente em relação ao crescimento da Internet, um número cada vez maior de pessoas com seus blogs e participação nas redes em contraposição a perda de espaços da mídia tradicional, com destaque para os jornais escritos e redes de televisão, que hoje já não tem mais o poder de formar opinião que tiveram no passado. 

Nesse novo cenário, a existência de setores da sociedade considerados como formadores de opinião é cada vez menor, na medida em que a escolaridade do brasileiro cresce ao mesmo tempo em que também cresce o acesso à internet e a participação do cidadão comum nas redes sociais.


Diante dessa realidade, as pesquisas deverão ter um papel ampliado na conjuntura da disputa eleitoral de 2014, principalmente na busca das novas realidades formadas a partir das tendências de opinião pública surgidas. 


Flávio Luiz Sartori

CONSUMO ONLINE: AUMENTO DAS TRANSAÇÕES COMERCIAIS USANDO A INTERNET.


Mudanças no Perfil do Consumo no Brasil:  Principais Tendências nos Próximos 20 Anos. 
Sexta Parte.

Direto do site Macroplan.

Em um mundo cada vez mais conectado o comércio 
virtual é a grande estrela.


A Internet já alcançou mais de um quarto dos habitantes do planeta e está presente no cotidiano de seus usuários. Hoje, as pessoas buscam informação pela Internet, encontram outras pessoas pela Internet, se casam e se separam pela Internet, fazem compras, estudam, aprendem e trabalham utilizando a Internet. No futuro, a Internet estará cada vez mais presente na vida das pessoas. E isto também é válido para as empresas. Nesse sentido, vale a pena refletir sobre a frase de Bill Gates, da Microsoft: “Daqui a algum tempo só existirão dois tipos de empresas: as que estão na Internet e as que não estão em lugar algum”.

Segundo a Ecommerce, o comércio eletrônico de bens de consumo no Brasil em 2009 atingiu faturamento de R$ 10,6 bilhões, crescimento de 33% em relação a 2008, e previsão de atingir R$13,6 bilhões em 2010. Para um setor que faturava algo ao redor de R$ 0,5 bilhões em 2001, este faturamento representa um extraordinário crescimento de mais em 10 anos (gráfico 6).

Por trás deste forte incremento do e-commerce encontra-se o aumento do número de consumidores. Em 2009, 17,6 milhões de consumidores já participavam do comércio eletrônico, aumento expressivo quando comparado ao 1,1 milhão registrado em 2001 (gráfico 7). Segundo a Ecommerce, no período entre 2004 e 2007, os setores com maior expansão de vendas online foi o turismo (62% a.a.), acompanhado pelo setor de bens de consumo (38% a.a.) e o de automóveis (20% a.a.). Em 2010 os produtos mais vendidos online foram livros, revistas e jornais (cerca de 21%) seguidos de artigos relacionados à informática (12%), saúde e beleza (9%), eletrônicos (7%) e eletrodomésticos (6%).


Dentre os novos consumidores incluem-se pessoas das mais diversas faixas etárias, particularmente adultos que nasceram antes da Internet e que tiveram que adquirir um novo comportamento: a realização de compras online. É possível que alguma parte dos adultos de hoje, que dispõe de acesso à Internet, nunca adquira esse novo hábito, mas é difícil imaginar que os jovens nascidos e criados junto com a Internet não se tornem e-consumidores no futuro, expandindo ainda mais o mercado e jogando mais combustível no desempenho do e-commerce.