ANÁLISES, TEXTOS RELACIONADOS AO MUNDO DAS PESQUISAS E PRINCIPAIS TRABALHOS REALIZADOS.

domingo, 5 de janeiro de 2014

A DIMINUIÇÃO DO PODER DE INFLUENCIAR A OPINIÃO PÚBLICA DAS MÍDIAS TRADICIONAIS EM RELAÇÃO AO PAPEL CRESCENTE NA INTERNET DOS BLOGS E DAS REDES SOCIAIS NOS PROCESSOS ELEITORAIS DEVERÁ SER O GRANDE DESAFIO DAS PESQUISAS ELEITORAIS PARA A ELEIÇÃO DESTE ANO.


A citação da manipulação da Globo do debate eleitoral
entre Lula e Collor em 1989 é um fato histórico que,
inclusive, foi confirmado pelo próprio Boni, que era
um dos homens fortes da Globo naquela época.


Neste ano vamos ter eleições para cargos executivos, Presidente e Governador, e também para cargos legislativos, deputados estaduais, federais e para Senador. Em um Brasil onde a Internet se torna a ferramenta de acesso a informação e comunicação para as pessoas em uma escala cada vez maior já vai longe o tempo em que as campanhas eleitorais eram feitas de forma direta em relação  ao eleitor, com entrega de panfletos em um trabalho que era feito em combinação com comícios, apoio do rádio e também da televisão, principalmente a partir da segunda metade dos anos sessenta do século passado.

Nesses tempos de panfletagens, comícios, propagandas no rádio e posteriormente na televisão, se sobressaia também a importância dos setores da sociedade considerados como formadores de opinião, que conectados com as informações e os debates que aconteciam na mídia tradicional, reproduziam o que assimilavam  junto a população menos informada e escolarizada formando tendências de opinião que poderiam determinar a eleição de um candidato, o que de fato realmente acontecia.

Dos anos setenta para os anos oitenta do século passado cresceu muito o papel das propagandas políticas na televisão, assim como a influência das empresas de comunicação, principalmente de televisão, com destaque para a Rede Globo, nos processos eleitorais. Maior exemplo de como as redes de televisão passaram a influenciar os resultados eleitorais foi a manipulação do debate para a eleição presidencial entre Lula e Collor em 1989 feita pela Rede Globo, que usou seus telejornais para dar destaque ao fato, que acabou por influenciar o resultado final daquela eleição presidencial em favor de Collor.

Porém, a maior mudança com impacto nos processos eleitorais estamos vivendo, agora, no século vinte um, com a massificação da Internet através das redes sociais onde as informações circulam com muita rapidez e as opiniões formadas podem mudar em espaços de tempo muito curtos, podendo determinar mudanças de cenários eleitorais e resultados finais. Como exemplo, novamente, podemos citar a virada histórica na eleição para o parlamento da Espanha com a surpreendente vitória do socialista José Luis Rodríguez Zapatero no dia 14 de Março de 2004 em uma Espanha traumatizada por um ataque terrorista que aconteceu três dias antes da votação, que o governo de direita da Espanha insistiu em atribuir a terroristas bascos, sendo desmascarado pelo fato de que a rede terrorista Al-Qaeda assumiu a autoria do atentado, mostrando a mentira do então primeiro ministro José Maria Aznar, o que irritou os eleitores espanhóis informados que foram pelas redes sociais na Internet da mentira do governo em um espaço de apenas 24 horas, que foi o bastante para determinar o crescimento e a vitória de Zapatero, que acabou ficando com um pouco mais de 42% dos votos diante de um pouco mais de 37% de seu adversário Mariano Rajoy apoiado por Aznar, sendo que o candidato governista tinha liderado todas as pesquisas em todo processo eleitoral com números sempre próximos aos 45% de intenções de votos.

Nesse contesto, as pesquisas eleitorais sérias feitas com o objetivo de determinar as estratégias a serem adotadas são cada vez mais importantes. São pesquisas com características diferenciadas, que precisam ser realizadas não necessariamente para serem divulgadas, mas com toda garantia de sigilo e confiabilidade, tanto do contratante quanto do contratado, porque elas não são feitas para ter impacto de mídia, mas planejadas para captar a tendência do eleitorado em função do debate político que acontece e que tem como conseqüência a formação de tendências da opinião publica no cenário que se desenha através de levantamentos quantitativos e qualitativos. São pesquisas que tem a importante finalidade de ser base para a estratégia a ser adotada pelo comando das campanhas dos candidatos.

O acirramento do debate eleitoral no Brasil, principalmente depois das manifestações de junho e julho do ano passado, deverá ter como protagonistas, principalmente em relação ao crescimento da Internet, um número cada vez maior de pessoas com seus blogs e participação nas redes em contraposição a perda de espaços da mídia tradicional, com destaque para os jornais escritos e redes de televisão, que hoje já não tem mais o poder de formar opinião que tiveram no passado. 

Nesse novo cenário, a existência de setores da sociedade considerados como formadores de opinião é cada vez menor, na medida em que a escolaridade do brasileiro cresce ao mesmo tempo em que também cresce o acesso à internet e a participação do cidadão comum nas redes sociais.


Diante dessa realidade, as pesquisas deverão ter um papel ampliado na conjuntura da disputa eleitoral de 2014, principalmente na busca das novas realidades formadas a partir das tendências de opinião pública surgidas. 


Flávio Luiz Sartori

CONSUMO ONLINE: AUMENTO DAS TRANSAÇÕES COMERCIAIS USANDO A INTERNET.


Mudanças no Perfil do Consumo no Brasil:  Principais Tendências nos Próximos 20 Anos. 
Sexta Parte.

Direto do site Macroplan.

Em um mundo cada vez mais conectado o comércio 
virtual é a grande estrela.


A Internet já alcançou mais de um quarto dos habitantes do planeta e está presente no cotidiano de seus usuários. Hoje, as pessoas buscam informação pela Internet, encontram outras pessoas pela Internet, se casam e se separam pela Internet, fazem compras, estudam, aprendem e trabalham utilizando a Internet. No futuro, a Internet estará cada vez mais presente na vida das pessoas. E isto também é válido para as empresas. Nesse sentido, vale a pena refletir sobre a frase de Bill Gates, da Microsoft: “Daqui a algum tempo só existirão dois tipos de empresas: as que estão na Internet e as que não estão em lugar algum”.

Segundo a Ecommerce, o comércio eletrônico de bens de consumo no Brasil em 2009 atingiu faturamento de R$ 10,6 bilhões, crescimento de 33% em relação a 2008, e previsão de atingir R$13,6 bilhões em 2010. Para um setor que faturava algo ao redor de R$ 0,5 bilhões em 2001, este faturamento representa um extraordinário crescimento de mais em 10 anos (gráfico 6).

Por trás deste forte incremento do e-commerce encontra-se o aumento do número de consumidores. Em 2009, 17,6 milhões de consumidores já participavam do comércio eletrônico, aumento expressivo quando comparado ao 1,1 milhão registrado em 2001 (gráfico 7). Segundo a Ecommerce, no período entre 2004 e 2007, os setores com maior expansão de vendas online foi o turismo (62% a.a.), acompanhado pelo setor de bens de consumo (38% a.a.) e o de automóveis (20% a.a.). Em 2010 os produtos mais vendidos online foram livros, revistas e jornais (cerca de 21%) seguidos de artigos relacionados à informática (12%), saúde e beleza (9%), eletrônicos (7%) e eletrodomésticos (6%).


Dentre os novos consumidores incluem-se pessoas das mais diversas faixas etárias, particularmente adultos que nasceram antes da Internet e que tiveram que adquirir um novo comportamento: a realização de compras online. É possível que alguma parte dos adultos de hoje, que dispõe de acesso à Internet, nunca adquira esse novo hábito, mas é difícil imaginar que os jovens nascidos e criados junto com a Internet não se tornem e-consumidores no futuro, expandindo ainda mais o mercado e jogando mais combustível no desempenho do e-commerce.



terça-feira, 10 de dezembro de 2013

O NATAL E O CONSUMO PRECOCE PROVOCAM O AUMENTO DO PODER DE DECISÃO DE COMPRA EXERCIDO PELAS CRIANÇAS E ADOLESCENTES SOBRE O CONSUMO FAMILIAR.


Mudanças no Perfil do Consumo no Brasil:  Principais Tendências nos Próximos 20 Anos. 
Sexta Parte. 

Direto do site Macroplan.


No Natal o fascínio pelos presentes aumenta o
desejo de consumo das crianças.

O público infanto-juvenil já é encarado hoje como clientes potenciais ao estabelecer um padrão de consumo próprio e apresentar um alto poder de decisão de compra sobre o consumo familiar. De fato, o que se percebe nos últimos anos é que crianças e adolescentes estão ficando adultas mais cedo ou, pelo menos, assumindo hábitos de consumo mais precocemente. Existem, basicamente, duas grandes razões para isso: as mudanças ocorridas na dinâmica familiar nas últimas décadas e o impacto da tecnologia sobre o mundo infanto-juvenil.As famílias vêm diminuindo o número de filhos desde a década de 70, reduzindo as possibilidades de convívio por mais tempo com crianças em casa. Com isso, os filhos passaram a ter apenas adultos para se relacionar, sendo obrigados a entender, e, em boa parte, adotar seus códigos de expressão e comportamento.

Ao mesmo tempo em que a família foi diminuindo, os pais passaram a destinar mais tempo para suas vidas fora de casa, notadamente com a participação crescente da mulher no mercado de trabalho. Nesse contexto, a tecnologia passa a assumir papel de destaque. A televisão, o computador pessoal e o telefone celular consistem em poderosos canais de comunicação que disseminam novos comportamentos e estimulam o consumo. A partir do instante em que crianças e adolescentes são instrumentalizados pelos pais com esse aparato tecnológico, mais cedo elas são introduzidas ao mundo adulto, diminuindo sua infância.

Estudo da InterScience divulgado em 2003 revela que 80% das crianças brasileiras influenciam as compras de produtos, enquanto que, em 2000, esse valor era de 71% (figura 2). Estudo posterior, realizado em 2005, revelou ainda que o poder das crianças sobre a escolha de marcas era da ordem de 18%. No futuro, o mesmo estudo da InterScience estima que este poder de influência poderá chegar a 53%.

Isso significa uma maior busca por produtos e serviços infanto-juvenis, como educação (básica e complementar, como cursos de inglês e esportes) e lazer. Além disso, produtos vinculados a tecnologias da informação e conhecimento, como celulares e eletrônicos, também passam a ser consumidos com maior intensidade por essa faixa etária. Diante disso, será cada vez mais importante para a competitividade das empresas um redirecionamento crescente de suas estratégias de marketing para incrementar o apelo comercial de seus produtos e serviços para crianças e adolescentes ou para seus responsáveis financeiros, os pais.


A influencia das crianças brasileiras na compra de produtos:



       Fonte: Estudo Kids Power - InterScience 2007





quarta-feira, 16 de outubro de 2013

CONSUMO DE BAIXA RENDA: INGRESSO DE NOVOS CONSUMIDORES À ECONOMIA DE MARCADO E AUMENTO DA DEMANDA POR BENS DE CONSUMO POPULAR PELAS CLASSES DE BAIXA RENDA (C,D e E).

Mudanças no Perfil do Consumo no Brasil:  Principais Tendências nos Próximos 20 Anos. Quinta Parte. 

Direto do site Macroplan.

O poder de consumo cresce e chega a um número, cada
vez maior de pessoas.


A aceleração do crescimento econômico, o controle da inflação, a ampliação do crédito, a elevação da renda, o aumento real do salário mínimo e a expansão dos programas sociais de transferência de renda estão reproduzindo no Brasil um fenômeno típico de sociedades avançadas: a criação de um mercado consumidor de massa, forte e cada vez mais complexo. Com isso, milhões de brasileiros têm aproveitado este bom momento da economia para ingressar na economia de mercado e experimentar, pela primeira vez, os benefícios do consumo.

O lado mais visível desta transformação em curso é a escalada de uma massa de pessoas para classes superiores de consumo. Nesse sentido, a maior variação deu-se na faixa intermediária, a chamada classe C, cuja renda mensal oscila entre R$ 1.062 e R$ 2.017. De acordo com pesquisa realizada pelo instituto Ipsos1, em apenas dois anos, de 2005 a 2007, um contingente de 23,5 milhões de pessoas passou a fazer parte desse estrato. Com esse deslocamento, a classe C tornou-se a maior em número absoluto de pessoas na pirâmide social brasileira, superando os 86 milhões do ano passado. Somada aos 28 milhões que formam as classes A e B, isso significa que já são 114 milhões os brasileiros que podem ser considerados consumidores. Segundo o IBGE, o potencial de consumo da classe C somou R$ 365 bilhões em 2007, um quarto da capacidade total de compra de todas as famílias que moram nas cidades.

O ingresso de novos consumidores oriundos das classes de baixa renda oferece um vasto campo de oportunidades para as empresas. De acordo com pesquisa da Latin Panel, há importantes diferenças de consumo entre as classes sociais no que se refere aos canais de compra. Enquanto 76% das pessoas que integram as classes A e B optam por comprar em supermercados, 34% dos consumidores da classe C e 49% das classes D e E dão maior importância a canais alternativos de compra, onde se destaca o pequeno comércio varejista (figura 1).


segunda-feira, 23 de setembro de 2013

CONSUMO RESPONSÁVEL: AUMENTO DA CONSCIENTIZAÇÃO SÓCIO-AMBIENTAL DO CONSUMIDOR E IDENTIFICAÇÃO DAS EXIGÊNCIAS NO PROCESSO PRODUTIVO.


Mudanças no Perfil do Consumo no Brasil:  Principais Tendências nos Próximos 20 Anos. Quarta Parte. 

Direto do site Macroplan.


Um número cada vez maior de brasileiros questiona
a origem do que consomem.

O consumidor brasileiro tem se mostrado cada vez mais preocupado com a aquisição e o uso de produtos e serviços sócio-ambientalmente sustentáveis. De acordo com a pesquisa realizada pelo Instituto Akatu em 2007, um terço dos consumidores considera a responsabilidade sócio-ambiental das empresas na hora de escolher de quem vai comprar.

Além disso, diversas leis de regulação ambiental têm sido criadas e estão colaborando para tornar a conscientização um aspecto mais palpável para a sociedade. Dentre os diversos aspectos ambientais considerados pelo consumidor, destacam-se: a poluição (durante o processo produtivo), o consumo ou a disposição final, a sustentabilidade das matérias-primas e a ética social.


Nesse contexto, o consumidor desejará obter cada vez mais informações sobre os produtos oferecidos, desde a aquisição de matérias-primas, passando pelo processo de fabricação, até o destino final. Conhecer a composição, as condições de processamento e transporte e os fabricantes dos componentes do produto são alguns exemplos de informação que serão exigidas. Para isso, serão cada vez mais demandados o acompanhamento e o monitoramento dos produtos, serviços e respectivos processos produtivos, que deverão ser feitos de forma mais rigorosa, visando ao aumento da credibilidade dos fornecedores para com os clientes (gráfico 5).

O crescimento do número de certificações atesta o compromisso com 
qualidade do que esta sendo produzido no Brasil.




terça-feira, 10 de setembro de 2013

CONSUMO SAUDÁVEL: VALORIZAÇÃO DA SAÚDE NAS DECISÕES DE CONSUMO E AUMENTO DA DEMANDA POR PRODUTOS E SERVIÇOS ORIENTADOS A UMA VIDA SAUDÁVEL.


Mudanças no Perfil do Consumo no Brasil:  Principais Tendências nos Próximos 20 Anos. Terceira Parte. 

Direto do site Macroplan

Consumo saudável volta para a qualidade
de vida.

A emergência de uma forte tendência relativa ao comportamento do consumidor nos últimos anos, no Brasil e na maioria dos países em desenvolvimento, diz respeito à preocupação em ter e manter uma vida saudável. Há uma parcela crescente da população disposta a investir grande parte do seu tempo e de seus recursos para viver mais e melhor.

A dedicação com que estas pessoas tratam todos os aspectos relacionados à saúde pode ser medida de várias formas. Havia 1.300 SPAs nos EUA no início da década de 90; hoje são mais de 10 mil. No Brasil, onde este serviço era praticamente inexistente há 20 anos atrás, há mais de mil unidades de SPA, sendo que estas não mais estão ligadas exclusivamente à perda de peso e têm estendido sua atuação para uma série de outros serviços focados na promoção da saúde e da qualidade de vida.

Outro exemplo vem do mercado de complementos vitamínicos, que em 2006 movimentou cerca de R$ 370 milhões no Brasil, aumento expressivo (de quase 55%) quando comparado aos R$ 240 milhões movimentados em 2002.
Da mesma forma, a crescente busca pela melhoria da qualidade de vida pode ser percebida pelo aumento do consumo de serviços e produtos saudáveis (gráfico ). 

Um mercado que desde 1990 só cresce, sem parar.


Dentre eles, o mais evidente é a alimentação. Grande parte da população, de todas as faixas etárias, tem buscado uma dieta mais equilibrada, inclusive utilizando complementos vitamínicos para isso. Atualmente, 80% dos jovens afirmam em pesquisas procurar alimentos mais saudáveis e naturais, 35% dos domicílios brasileiros consomem produtos diet e light e 21% consomem produtos orgânicos. O consumo de orgânicos vem aumentando 30% a cada ano, segundo estimativa do Instituto Biodinâmico, uma das instituições que certifica esses alimentos no Brasil. 

Vendas no varejo de alimentos mais saudáveis no Brasil saltaram de US$ 8,5 bilhões em 2004 a US$ 15,5 bilhões em 2009, um crescimento de 82%.

Complementarmente, as atividades saudáveis seguem a mesma tendência de crescimento, com destaque para a expansão do número de academias e clínicas de estética instaladas.